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Fifty - Fifty. A duo show with Noé Sendas
Galeria Miguel Nabinho. Lisbon.
23rd November 2017 - 13th January 2018

FIFTY - FIFTY (50/50)

A Galeria Miguel Nabinho apresenta a exposição Fifty-Fifty (50|50), com obras inéditas de Noé Sendas e Rui Calçada Bastos.
Construídas em simultâneo e em diferentes ateliers, as obras destes artistas são afinadas por cada um e pela ressonância que estabelecem com o trabalho do outro. A exposição procura olhar para uma partilha de experiências e inquietações, comuns à prática de ambos, mas afasta-se da ideia de uma autoria conjunta.

O trabalho de Noé Sendas e de Rui Calçada Bastos surge, em paralelo, de um reconhecimento e de uma efabulação do real. Em ambos existe um olhar que se foca no que os rodeia, onde objectos, situações e imagens se modificam de forma poética e transcendem a sua condição de base.
Com o pretexto de ir à cave, entendida aqui como referência de um lugar interior e subconsciente mas, também, como o simples subsolo da galeria, o trabalho dos dois artistas surge de um encontro improvável, entre a memória e a transformação. E, centradas numa ideia de (im)permanência, as obras emanam uma inquietude que é, simultaneamente, irónica e melancólica.
Irónica, porque emprega materiais e situações concretas para desconstruir sentidos, usos e funcionamentos que são comuns, reinventando-os de modo inesperado e contraditório.
Melancólica, porque a ausência enunciada advém de um ajuste perdido. Sendo algo que assenta no que já passou mas, também, no sobressalto do que está por surgir.

Trabalhando com o pavimento que extraiu da sua própria casa, Noé Sendas constrói um grupo de obras onde se trava o decorrer de um qualquer acontecimento. Tudo aponta para um processo de mudança, onde o soalho se recorta e extrai do seu lugar de origem, onde o sobrado se empilha para ser arrumado e transportado, ou onde as tábuas se encostam temporariamente à parede. Mas, seja na resistência que contradiz o movimento, no entrave de um peso depositado, ou na descoberta de um uso inesperado, existe, no conjunto, uma reacção que inverte a leitura original das coisas. E percebe-se, também, a ausência da figura envolvida nesses actos. Uma figura retirada, que marca o hipotético abandono de quem se cansou de resistir.

Rui Calçada Bastos apropria-se de objectos comuns, que se reportam ao mundo da casa mas, também, ao mundo exterior. A forma como o autor os combina e como com eles cria novos sentidos, aponta, de igual modo, para uma ideia de desajuste e deslocação. Mas, contrariamente a Noé Sendas, este é um desajuste que não é ditado por reacção, surgindo antes como um desvio antecipado, de algo, ou de alguém que quer partir.
Quando o artista recupera a memória de uma antiga fotografia do Tibete, o que nos mostra é um caminho deserto, que nos leva para dentro da imagem, ou para fora do espaço da galeria. De igual forma, as molduras encontram-se vazias e a pedra segura uma carta que aguarda ser lida. Em todos os casos, o que emerge é, novamente, a melancolia de uma ausência.

O que em ambos vemos, é o resto de uma passagem que se encontra já vazia. Uma espécie de resquício rendido à gravidade e ao encontro com o chão, como numa cave, onde se depositam memórias à espera de serem reinventadas.

Sérgio Fazenda Rodrigues

http://contemporanea.pt/edicoes/12-2017/fifty-fifty-5050

 
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On the 23rd of November 2017, Miguel Nabinho Gallery presents the exhibition Fifty-Fifty, with new works by Noé Sendas and Rui Calçada Bastos. Simultaneously built in different studios these works are refined by each others presence and by the resonance they establish with the other artists production.
Sendas and Calçada Bastos work deals simultaneously with the notions of recognition and the efabulation of reality. Meaning that, both artists, gazing their tangible surroundings seize a poetic underlining of objects, situations and images that are modify to transcend it’s original condition.
With the pretext of entering the basement, assuming it as a reference to an interior and subconscious place, but, also as the sole underground of the gallery, these works come from an encounter between the persistence of memory and the will of a new existence.
Establishing references that are grounded to a domestic permanence, but also to a notion of dislocation and departure, one senses the melancholy of absence and the suppression of accommodation. Thus, something sets a state of change, based on what’s gone by, but also in the restlessness of what’s to come.
Dwelling upon what draws closer the practice of these two artists, the exhibition doesn’t set a search for a joint authorship but, instead, looks into a relationship based in shared experiences and mutual unsettlements.

 
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